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Archive for the ‘Cultura’ Category

Retirado do Atividade FM

Há quase um ano, publiquei no aqui no Depois do Ensaio um post sobre algumas ferramentas da internet que te ajudam a conhecer mais músicas (ex.: MySpace, LastFm, Pandora). E, de março do ano passado para cá, milhares de novas ferramentas foram desenvolvidas – e outras milhares ficaram conhecidas. Continuando o post passado, trago mais algumas ferramentas diferentes – umas interessantes, outras engraçadas, ou simplesmente inúteis – que tratam de uma coisa que todos nós amamos: Música.


TheSixtyOne

Esse aqui precisava vir em primeiro lugar.

Site extremamente simples e funcional, onde os próprios usuários o comandam. No TheSixtyOne funciona assim: uma sorte de canções é posta no site, aquelas com mais “corações” e compartilhamentos entre os usuários, ficam sempre à frente, aparecendo em primeiro lugar na homepage. O site é uma espécie de flipbook, que a cada virada de página, um novo artista surge. A música “boa” é a música mais popular (se apenas fosse assim na vida real…). E, pelo menos comigo, as populares são realmente boas!  Em outras palavras, você escuta primeiro as músicas de destaque entre os internautas.

Na página de cada artisita, o internauta confere uma biografia, críticas, comentários dos usuários, mais músicas (e faz download, dependendo da disponibilidade), agenda de shows e os usuários que mais escutam aquele artista. Ao invés de segregar músicas por gêneros, o TheSixtyOne possui a seção chamada “moods”, onde as músicas são separadas entre as categorias mellow, party, happy, trippy, crazy, smooth, sad, rocky, love, funny, remix e covers.

Mas a experiência não para no ouvinte: o legal do site é que artistas podem adicionar suas próprias músicas e divulgar seu trabalho na plataforma.

Por ser um site amplo de possibilidades, apresentei apenas algumas. Mas relaxa, o site te ajuda a explorar de uma maneira sensacional. Pequenas “missões” (quests) são propostas ao usuário assim que ele realiza o rápido cadastro (ex.: Ouvir sete músicas na seção “posted”; “favoritar” uma música após um minuto de execução). A cada missão cumprida, o user ganha mais experiência (ganhar XP fazendo quests? Ragnarok?), podendo, no futuro, utilizar outras ferramentas do site, como ouvir sua própria estação de músicas recomendadas.


TuneGlue

Já o TuneGlue é um sistema bem básico e direto.

Esse dá pra explicar rapidamente: jogue o nome de um artista; a partir desse artista, com um clique você descobre bandas similares, e a partir dessas bandas, você descobre outras bandas, e assim vai. O TuneGlue permite a criação de uma rede rapidamente, porém, limitada na questão de ouvir o trabalho dos nomes que aparecem. É uma ferramenta interessante pra quem não é preguiçoso e gosta de sair fuçando na internet.

Em alguns casos, o internauta pode conferir uma pequena biografia do artista e links úteis, como página oficial e página no LastFm.


Six Degrees

O Six Degrees é o tipo de site com dados curiosos. Criando uma “escada”, o website consegue mostrar uma conexão entre duas bandas. O banco de artistas dele é tão extenso, que basicamente qualquer artista que você sugerir tem um link com outro. Duvida? Combina Exaltasamba com qualquer outra coisa. É assustador!
Drinkify

Essa vai pra quem bebe suas mágoas enquanto chora ouvindo aquela música roedeira, ou pra quem ri na cara do perigo enchendo a cara ouvindo aquela música com os brothers.

O Drinkify é uma divertida ferramenta que combina música e álcool. A partir de um artista escolhido por você, o site te indica que drink merece a companhia daquele som. Algumas realmente combinam, outras são totalmente cômicas (vide imagem acima). Ah, e de quebra, o site ainda toca uma música aleatória do artista, só para os três curtirem: você, o copo, e o computador.

Sugestões são sempre bem-vindas!

Até a próxima aventura musical! 

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Há algum tempo, postei o texto a seguir em outro blog o qual participo, o Atividade FM. Por tantos comentários positivos, resolvi compartilhar com todos vocês. Espero que gostem!

Dedicado à todos aqueles que gostariam de ter vivido o Woodstock

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Como muitos já sabem, o tão falado festival Woodstock ocorreu nos Estados Unidos no ano de 1969, promovendo o amor livre, a paz, o rock ‘n roll, cabelos e pêlos excessivos por todas as partes do corpo. Mas isso é o que todo mundo já sabe de cor. Agora, nós vamos contar um lado do Woodstock que poucos conhecem.

Para isto, vou contar uma historinha pra vocês:

            Um belo dia, na cidade de Nova York, dois jovens se encontraram pra bater um papo e pensar num modo de ganhar dinheiro. Estes dois jovens eram John Roberts, um herdeiro de farmácias, e Joel Rosenman, um estudante de direito em Yale. Conversa vai, conversa vem, resolveram que também precisariam de mais sócios, e arranjaram mais dois: o executivo da Capitol Records, Artie Kornfeld, e o promotor de shows hippies, Michael Lang. Juntos, decidiram abrir um novo estúdio de música em Woodstock, NY. Felizmente para os quatro rapazes, o plano não deu certo, então pensaram:

“CARA, vâmo fazer um festival de música!”

E o que é melhor do que um Fe$tival de música para se ganhar dinheiro? Fácil! Um festival de três dias de ROCK ‘N ROLL, em plenos anos 60, onde os ingressos custariam U$40 por dia! Tudo que eles precisariam era de um lugar para acontecer o evento…

Os quatro rapazes chegaram à conclusão de que praticamente nenhum ser humano iria disponibilizar seu terreno pra um festival hippie que, certamente, seria insano e que teria grande chance de objetos estranhos, muitas drogas e quiçá cadáveres serem encontrados por lá. Então, eles resolveram contar uma mentirinha: falariam para os donos dos terrenos que o festival acomodaria apenas 50 mil hippies cabeludos e contentes (apesar de até então já terem vendido mais de 150 mil ingressos). E a mentira deu certo: alugaram um terreno de 600 acres. Começaram então a mover os pauzinhos e trabalhar naquele que viria a ser o maior símbolo hippie da história.

            Foram três dias de muita paz, rock ’n roll e muitas dorgas (“se você se lembra do Woodstock, não estava lá”). Os jovens amantes da música, da vida, do universo e tudo o mais curtiam toda aquela vibe, delirando ao ver e ouvir ídolos como Joe Cocker, Janis Joplin e os rapazes do The Who; boquiabertos ao ouvir o hino nacional tocado numa guitarra por Jimi Hendrix, reproduzindo simultaneamente o som de bombas caindo.

E tudo foi lindo. Para os cabeludos e cabeludas, aquele festival nunca sairia de suas memórias; para os quatro organizadores, seria difícil sair de suas memórias também. Até que os efeitos colaterais apareceram:

  1. A estimativa que tinham de 250 mil pessoas estava errada; na verdade, o dobro do público apareceu. Os jovens passaram a quebrar, derrubar e pular as cercas do local para assistirem aos shows de graça.
  2. Os organizadores acabaram por gastar 2,4 milhões de dólares e arrecadar 1,1 milhão.
  3. Três jovens morreram: um de overdose (por essa você não esperava), um por rompimento do apêndice (rapaz sortudo) e o terceiro atropelado por um trator (!!) [Mas não fiquem tristes: nestes dias, dois hippiezinhos nasceram no festival e inúmeros outros foram concebidos, mantendo a chama da famigerada “contracultura hippie” viva até os dias de hoje, se brincar.

Quanto amor! E assim (quase) todos viveram felizes para sempre.

E agora, com vocês, aqui vai um pouco do Woodstock que todos conhecem (ou precisam conhecer antes de morrer):

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Para os amantes da música, nada se mostrou mais útil, importante e impressionante do que a internet e todo o seu universo de compartilhamento. Desde aquela época que costumávamos baixar músicas (geralmente mp3 de péssima qualidade) pelo Mirc (lembra? “!Mp3 – Pink Floyd – Another Brick in The Wall Part II.Mp3”), tudo parecia simplesmente maravilhoso. E como toda tecnologia, o compartilhamento de músicas na net foi evoluindo cada vez mais, e junto com tal sharing, veio também diversas ferramentas (de sua maioria gratuitas) relacionadas ao encantador mundo da música.

Vamos começar pelas mais óbvias dessas ferramentas, e depois algumas novidades:

O YouTube, que apesar de ser uma ferramenta voltada para a divulgação de vídeos, tem se mostrado mais do que importante para propagar músicas (seja com as músicas de estúdio, com os videoclipes oficiais, com os ao vivo, ou até mesmo com as paródias). Clipes inovadores de bandas independentes são sempre bem vistos no youtube, como Here It Goes Again, do OK Go, que foi sucesso imediato e lançou a banda para as alturas.

O MySpace é o lugar onde você tem a maior probabilidade de encontrar o perfil original de basicamente qualquer banda, esteja ela no Top 10 da Billboard ou nas garagens e estúdios de casa, sendo esta a rede social mais especializada no assunto. Após a queda de 20% dos usuários do website, o MySpace agora mudou. Com layout novo e mais agradável, o site se mostrou mais útil, mais simples (porém mais completo) do que antes. Já na página inicial você vê novidades dos artistas de destaque:

Lá é possível compartilhar músicas completas, demos, fotos e vídeos da banda, além do update freqüente de novidades da banda, como últimas músicas lançadas ou datas e locais de turnês, e muito mais. É uma excelente ferramenta para quem inclusive tem uma banda.

O TramaVirtual é o espaço para bandas brasileiras independentes. Aqui você encontra todos os ritmos. O site, assim como o MySpace, também é excelente para divulgação e busca por novos ritmos. Além do esquema de sempre de escutar músicas no site, baixar gratuitamente ou comprar, o TramaVirutal chegou com uma novidade no ano de 2010, chamada “Download Remunerado”. A ideia é basicamente que os ouvintes baixem as músicas de graça, e que as bandas recebam dinheiro por isso. Bem, tudo é bem mais explicado no próprio site deles. É o lugar onde toda banda brasileira deveria fazer parte.

O LastFm é o meu queridinho, é o site que uso para qualquer tipo de pesquisa por sons novos. Aqui tudo gira ao redor das recomendações musicais. Criando sua página no site e instalando um pequeno software no seu computador, as músicas que você escuta passam a ser automaticamente registradas no seu perfil (o que eles chamam de scrobbling). Aí então fica tudo por conta deles. Além de mostrar a cronologia de suas execuções, você passa a ter sua própria biblioteca, organizada por artistas e músicas principais. Na sua página inicial o site mostra recomendações de acordo com o seu perfil. Vou usar o exemplo da minha página inicial pra vocês darem uma olhadinha:

Colocando sua cidade no site, você pode acompanhar todos os eventos musicais que ocorrerão nos arredores. Entrando em páginas de outras pessoas, uma barrinha mostra seu “grau de compatibilidade” com o outro usuário, que é medido pela porcentagem de artistas em comum entre os dois. Fazendo uma pesquisa por Tags, você conhece os principais artistas daquela categoria e muito mais (ex.: Rock Progressivo). O site é absurdamente excelente para quem é louco por música e quer expandir muito mais seu conhecimento musical. Mais sobre o site, aqui.

A Pandora é uma rádio virtual que usa o “Music Genome Project”, um projeto elaboradíssimo onde milhares de músicas foram escutadas e analisadas, desde as batidas às melodias, e trazem ao ouvinte a rádio perfeita baseada no seu gosto musical. Colocando uma banda que você goste, ou uma música, a rádio faz uma playlist para você ouvir as músicas completas dos artistas. Excelente, infelizmente, parou de funcionar no Brasil (mas claro que teve gente que já conseguiu “resolver” o problema).

Por último, apresento-lhes o Midomi, uma ferramenta impressionante e diferente, que fui apresentada há pouco tempo por um amigo. Sabe quando você passa o dia com aquela música na cabeça, sem conseguir lembrar, por mais que tente; e pior de tudo, você fica com vergonha de pedir ajuda pra alguém porquê não sabe cantar? O Midomi é a resposta. Logo na homepage do site, sem cadastro necessário, você clica em “Click and Sing or Hum”: clique e cante ou cantarole a música. Exatamente isso que você está pensando, B1. Você canta ou murmura (até assobio vale!) por no mínimo 10 segundos, e o site te fala que música é aquela. Claro que o site nem sempre é preciso, mas quebra muito o galho, principalmente pelo fato de que quase sempre as músicas pregam nas nossas cabeças são as pop do momento ou de outrora.

Se souberem de outras ferramentas, fiquem à vontade para compartilhar por aqui, todas as sugestões serão bem-vindas.

Até a próxima aventura musical!

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(1) Zé Keti: "Pra mim o assunto acabou" (2) Chacrinha: "Está faltando divulgação"

 

(3) Henricão: "O compositor não está bem" (4) Braguinha: "O Carnaval era mais tranquilo"

É uma tradição de há séculos, desde quando ainda se podia chamar de entrudo. O Carnaval é criado, e de imediato, veio acompanhado outra tradição: criar o seu epitáfio. Se assim realmente foi, não sei, mas assim parece. Desde então, há quem queira rememorar os tempos de outrora, a alegria dos velhos e eternos carnavais.

Quando se pensa em Carnaval como um fenômeno de nossa cultura, quando alguém se lança a dissertar sobre as características da festa de Momo (para além dos dias de feriados sob o sol e música alta), talvez, a marca mais recorrente seja a nostalgia com que se lamenta a passagem dos tempos idos. Os foliões sempre se manifestam saudosistas aos costumes perdidos, pelo tipo de diversão que se esvai a cada geração. Ocorre que esta é mais uma característica tradicional dos festejos carnavalescos: lamentar a tradição que fenece e que tão poucos realmente viveram.

Em uma das crônicas reunidas no livro “Memórias – A menina Sem Estrela”, Nelson Rodrigues já descrevia sua visão fatalista do Carnaval de 1919: “Começou o Carnaval e, de repente, da noite para o dia, usos, costumes e pudores tornaram-se antigos, obsoletos, espectrais. As pessoas usavam a mesma cara, o mesmo feitio de nariz, o mesmo chapéu, a mesma bengala. Mas algo mudara.”

Nesta quinta-feira (3), a reportagem da Folha de S. Paulo, que ilustra esta postagem, fará 30 anos. Três décadas e o assunto é o mesmo que teremos de ver durante toda esta semana: as memórias do Carnaval. Chega a ser irônico perceber que das algazarras mais profanas e despudoradas, aliada com o sentimento urgente de viver sem pensar sequer no dia seguinte, concilie-se com um profundo desejo de reviver o passado. Mas é preciso que esse nostálgico desejo não seja acompanhado de retrocessos, pois se apenas se tentar reviver os antigos Carnavais fosse bom, o bloco da Melhor Idade seria o apogeu de nosso Carnaval.

Tanto a crônica de Nelson Rodrigues quanto a matéria da Folha demonstram mais que um discurso que se repete demasiadamente na imprensa há anos. A recorrência do tema, por si só, ajudou a conceder mais esta peculiaridade: o Carnaval perdeu muito de suas características, e até o que ele deixou de ser, ainda é Carnaval.

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Banksy, polêmico e anônimo artista de rua britânico, estreia, no cinema, dirigindo o documentário Exit Through the Gift Shop, e já tem causado muita polêmica. O filme conta a história de Thierry Guetta, que, com sua câmera inseparável, acompanha artistas de rua, nas ruas de Los Angeles e de outras cidades do mundo. Space Invader, Shepard Fairy, Seizer, Neckface, Sweet Toof & Cyclops, Dotmasters, Borf, Buffmonster e o próprio Banksy são os artistas que aparecem no documentário.

“A street art, diferente de pinturas a óleo sobre tela ou outras obras feitas para durar, tem vida curta. Precisávamos de alguém que soubesse usar uma câmera para documentá-la” (Banksy)


Thierry filma o trabalho dos artistas de maneira intensa e cria um grande acervo de filmagem pronto para ser editado. O primeiro filme do cineasta, chamado Life Remote Control, foi ignorado por Banksy, até que este lhe deu a ideia de fazer sua própria arte. Algum tempo depois, Thierry se transforma em Mr. Brainwash, estampando sua arte por todos os lugares. Sua exposição, Life is Beautiful, foi capa do jornal L.A. Weekly, e atraiu milhares de pessoas durante seus dois meses de exibição, arrecadando em torno de 1 milhão de dólares na venda de suas peças.

A maneira “perfeita” e engraçada que o diretor mostra essa história chama a atenção dos críticos, que suspeitam da veracidade dos fatos. Muitos dizem que Banksy colocou a arte em xeque-mate no cinema, e que ele pode estar pregando mais uma peça. O filme teve estreia, nos Estados Unidos, em abril do ano passado, mas não tem data prevista para estrear no Brasil.

De qualquer maneira, Exit Through the Gift Shop é um indicado ao Oscar de Melhor Documentário. O presidente da Academia afirmou que Banksy está proibido de entrar no evento disfarçado. Se o documentário for premiado, certamente haverá grandes surpresas nesta noite de domingo.

 



Por Mariana Costa

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A banda inglesa Radiohead lançou semana passada o álbum The King of Limbs e o seu primeiro single, Lotus Flower, que apresenta agora mais de 5 milhões de visitas no youtube, criou tanta polêmica que até o Jacaré, dançarino do É o Tchan, opinou sobre o que achou da dança do Thom Yorke.

Thom Yorke se garantindo

The King of Limbs segue a mesma linha do anterior, In Rainbows, ou seja: quem gostou de um, é praticamente certo de que gostará do outro. As músicas estão mais profundas, mais reflexivas mesmo.

Mas o que me levou a criar este texto? Não vou fazer uma biografia da banda, até porque o Wikipédia está aí para isso.

O Radiohead sempre me chamou a atenção pelas músicas impactantes em conjunto com a voz incomum do Thom Yorke. Nos trabalhos anteriores a banda apresentava um som mais “pesado”, mais melancólico, com o som da bateria mais seco e melodias em tons contrastantes, com bastante exploração da guitarra… E foi pensando nisso que eu concluí que sinto falta desse som nos últimos álbuns. É necessário levar em consideração a maturidade da banda, agora com 23 anos de carreira, mas é impossível, pelo menos para mim, não sentir falta de músicas no estilo de 2+2=5, ou até da clássica tristonha Fake Plastic Trees.

Karma Police, do álbum Ok Computer

Enfim, é extremamente difícil não haver comparação entre um disco e outro, entre uma fase e outra, seja no Radiohead ou em qualquer outra banda. Afinal, o que importa é ouvir música boa!

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Sexta-feira (18), o músico carioca Paulinho da Viola faz show em João Pessoa, quando reabre o projeto Som das Seis, no Ponto de Cem Réis. Movido pela expectativa da apresentação, redigi esta postagem com todos os vícios de um fã.

Paulinho da Viola é um artista que faz samba conforme a sua própria essência.  Vinícius de Moraes disse que “o samba é uma forma de oração” e que “pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza”. Noel Rosa, por sua vez na canção “Feitio de Oração”, assegurou que “sambar é chorar de alegria, é sorrir de nostalgia”. Essa é a essência do samba e Paulinho da Viola é fiel a esta aparente controversa forma de fazer poesia.

O tom melódico carregado de sobriedade, suas letras compassivas de dor e resignação, de amor e de desilusão, são a marca de alguém que permanentemente atinge a alma de quem se permite ser parte de suas canções, parte de sua plateia.

Os temas preferidos desse portelense são os que remontam a própria natureza do homem em sua condição de estar fadado ao conhecimento dos sofrimentos que o limitam, e a finitude de tudo que ele mesmo constrói em vida. A passagem do tempo é muitas vezes narrada como um caminho à solidão. Quem há de discordar dessa visão?

Muitos artistas já gravaram suas músicas, mas é muito difícil encontrar quem se impregne com os personagens criados em suas canções, consentindo, da mesma forma, que a moral do intérprete esteja submetida àquilo que ele mesmo canta. Por isso, essa novíssima geração que canta samba sabe divertir e distrair com certa competência, mas não emociona de forma visceral.

Melhor e mais útil que tentar descrevê-lo é mesmo descobri-lo. Para tanto, selecionei algumas passagens que considero de primeira grandeza e trazem um conjunto de questões em comum que estão mais para grandes obsessões que muito servem para defini-lo.

Vestir a capa de cobrir solidão, para poder chorar” (Recomeçar, 1979)

Quem lê a frase acima e não conhece a música, mal pode imaginar que este samba é cantado de forma altiva, com direito, inclusive, a coral, aquele em terceira pessoa, tão comum em “sambões”. Quem lê a frase acima mal pode imaginar que este é o modo que o intérprete indica para alguém abrandar a decepção numa relação amorosa e assim recomeçá-la.

Mente ao meu coração, mentiras cor de rosa, que as mentiras de amor não deixam cicatrizes” (Mente ao meu coração, 1976)

A relação com a verdade ou a falta dela é algo que demonstra mais um pouco da natureza de seu autor. A mentira, segundo ele, pode ser um caminho em que o fingimento é apenas mais um cúmplice da felicidade, mais um parceiro do amor.

Solidão […] sorri seus dentes de chumbo” (Dança da Solidão, 1972)

É impressionante a imagem gerada por essa frase. Chega a dar medo imaginar a criação de um sorriso nefasto na face da solidão.

– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas. – Eu também tenho algo a dizer, mas me foge a lembrança.” (Sinal Fechado,1970)

Como um rito quase operístico, em sinal fechado dois amigos queixam-se de seus desencontros com o constrangimento de talvez perceberem que foram empurrados a tal situação por tanto se preocuparem pela busca de um “sono tranquilo”. Mas que suas vidas amargamente já não permitem que se recuperem seus passados.

Silêncio, por favor, enquanto esqueço um pouco a dor no peito” (Pra ver as meninas, 1971)

Não há quem não respeite a dor de um homem que, para superar sua tristeza, pede somente silêncio para fazer um samba sobre o infinito.

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim” (Meu mundo é hoje, 2003)

Não é qualquer um que pode dizer isso sem despudor ou qualquer traço de empáfia. Paulinho da Viola pode e ainda assim só transparece humildade.

Para encerrar esta postagem, mais um trecho de outra música. Mas desta vez não farei nenhum comentário. Não preciso.

Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor” (Para um amor no Recife, 1971)

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